POESÍA a rodos Textos em prosa em português (literários e não literarios) Vídeos com histórias

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Memórias de um Craque (Fernando Assis Pacheco)



Memórias de um Craque. 30 crónicas de Fernando Assis Pacheco gravadas por Nuno Moura para a BOCA (www.boca.pt). A edição (livro+2 CDs) inclui fotografias inéditas e textos de Mário Zambujal, José Carlos Vasconcelos, Nuno Costa Santos e Nuno Moura. O arranjo gráfico é de Pedro Serpa, a gravação e edição de Oriana Alves e a mistura e masterização de António J. Martins.

(2016)









segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Depois das 7 (António Reis)



DEPOIS DAS 7

Depois das 7
as montras são mais íntimas

A vergonha de não comprar
não existe
e a tristeza de não ter
é só nossa

E a luz torna mais belo
e mais útil
cada objecto

António Reis,

Poemas Quotidianos


António Reis (Valadares, 1927 — Lisboa, 1991) foi um cineasta e poeta português que se distingue pelo sentido poético da sua obra (ver filmografia). É um dos representantes no filme documentário do movimento do Novo Cinema, que explora as técnicas do cinema directo. Com contemporâneos seus, usando esses meios, empenha-se na prática da etnografia de salvaguarda.

(Wikipédia)



sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Ana Luísa Amaral diz um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen



Já lemos aqui este poema de Sophia de Mello e o ouvimos na voz da atriz Rita Loureiro. Hoje é a poetisa e escritora Ana Luísa Amaral que o lê. Ela estará connosco na Aula de Poesía Enrique Díez-Canedo no dia 15 de março


MEDITAÇÃO DO DUQUE DE GANDIA
SOBRE A MORTE DE ISABEL DE PORTUGAL

Nunca mais
a tua face será pura limpa e viva,
nem teu andar como onda fugitiva
se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
do teu ser. Em breve a podridão
beberá os teus olhos e os teus ossos
tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver
sempre,
porque eu amei como se fossem eternos
a glória, a luz e o brilho do teu ser,
amei-te em verdade e transparência
e nem sequer me resta a tua ausência,
és um rosto de nojo e negação
e eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

Nunca mais te darei o tempo puro
Que em dias demorados eu teci
Pois o tempo já não regressa a ti
E assim eu não regresso e não procuro
O deus que sem esperança te pedi.

Sophia de Mello Breyner Andresen 



quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

"Não: não digas nada!" (Fernando Pessoa)

Fotografia de Will Burgdorf




Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já.

É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.

És melhor do que tu.
Não digas nada : sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.

Fernando Pessoa



Quem ora soubesse (Luís de Camões)

Camões por Júlio Pomar



Quem ora soubesse
Onde o Amor nasce,
Que o semeasse!

De Amor e seus danos
Me fiz lavrador;
Semeava Amor
E colhia enganos;
Não vi, em meus anos,
Homem que apanhasse
O que semeasse.

Vi terra florida
De lindos abrolhos,
Lindos pera os olhos,
Duros pera a vida;
Mas a rês perdida
Que tal erva pasce
Em forte hora nasce.

Com tanto perdi,
Trabalhava em vão:
Se semeei grão,
Grã dor colhi.
Amor nunca vi
Que muito durasse,
Que não magoasse.

Luís de Camões



sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

"Neste carnaval da vida..."



1

Neste carnaval da vida,
Anda a malta divertida,
Com a máscara que lhe convém.
Uns disfarçam-se em anjinhos,
Outros fingem ser ceguinhos,
Para que tudo corra bem.


2

Tudo canta tudo dança,
Há serpentinas de esp’rança,
E no meio dos foliões
Há fadas e há piratas,
Os chamados magnatas,
E os engravatados burlões.


3

E ao som do acordeão,
Rebola-se a corrupção,
Numa salsa de alegria.
Há Pierrots, há coristas,
Há palhaços e há fadistas,
E assim vai o dia-a-dia.


4

Há doutores e há banqueiros,
Malabaristas e enfermeiros,
Músicos e contorcionistas.
Pode não haver dinheiro,
Mas o povo que é ordeiro,
Sorri para dar nas vistas.


5

Mas a máscara mais caricata,
Para a qual é preciso lata,
É de Rafael Bordalo Pinheiro.
E entregue à sua sorte,
O Zé-Povo é bobo da corte
Sempre alegre e brejeiro.


O Seringador
Reportório crítico-jocoso e prognóstico diário para 2017 (e 152º ano da sua publicação)


(Ilustração: Paródia de Carnaval, gravura, meados do século XIX, Lisboa - Arquivo Municipal de Lisboa - M. Teixeira Gomes)




quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

"Ler Mais, Ler Melhor" - Livros da vida de Ana Luisa Amaral



"Ler Mais, Ler Melhor" - Livros da vida de Ana Luisa Amaral, Emily Dickinson, O Rei Lear, de William Shakespeare, Canções de Inocência e de Experiência, de William Blake.